BIOECONOMIA

Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável.

    A bioeconomia ou economia ecológica é um campo de estudo transdisciplinar, que reconhece a interdependência da economia e dos ecossistemas naturais ao longo do espaço e do tempo. Ela se distingue de economia ambiental, a qual se baseia na teoria da economia neoclássica.

    A economia ecológica se diferencia da economia ambiental neoclássica (considerada esta a corrente mainstream) defendendo os seguintes pontos:

  1. A economia é um subsistema da natureza e não o contrário.
  2. Assim como a natureza, o crescimento da economia e de seu produto (PIB) também tem limites biofísicos e não pode aumentar indefinidamente.
  3. Considerando os limites biofísicos, a humanidade deve se desenvolver dentro de uma escala ótima e sustentável.
  4. Para satisfazer as necessidades das gerações atuais e futuras, a distribuição justa de recursos é imprescindível – uma vez que a economia e o produto (PIB) não podem crescer indefinidamente.
  5. Bens e serviços ecossistêmicos são muitas vezes públicos, não-rivais e não-exclusivos e mecanismos de livre mercado não são suficientes para geri-los adequadamente.

    Ela está estreitamente ligada com a melhoria de nosso desenvolvimento, na busca por novas tecnologias que priorizem a qualidade de vida da sociedade e do meio ambiente em seu eixo de elaboração. Ela reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos.

    O conceito surgiu há meio século. O economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen englobou nas ciências econômicas os princípios da biofísica. Na visão de Roegen, o processo de produção de bens materiais diminui a disponibilidade de energia no futuro e, consequentemente, a futura possibilidade de produzir outros bens materiais. A entropia, conceito definido pelo físico alemão Clausius em 1850, tem papel central na bioeconomia. A energia precisa ser incluída na análise dos processos econômicos. A energia total do universo é constante, mas a entropia total continuamente aumenta, ou seja, possuímos cada vez menos energia utilizável. Recursos naturais (baixa entropia) de alto valor são transformados em resíduos (alta entropia) sem valor. Esses conceitos da biofísica podem parecer um pouco complicados, mas basicamente significam que uma tecnologia não é viável a menos que ela seja capaz de manter sem reduzir o estoque de recursos não renováveis.

    Assim surgiu a bioeconomia, para possibilitar soluções eficazes e coerentes para os problemas socioambientais contemporâneos: mudanças climáticas, crise econômica mundial, substituição do uso de energias fósseis, saúde, qualidade de vida da população, etc.

    A Comissão Europeia, por exemplo, para alcançar este objetivo, estabeleceu a bioeconomia como um plano de estratégia e ação que incide sobre três aspectos fundamentais:

  • desenvolvimento de novas tecnologias e processos para a bioeconomia;
  • desenvolvimento de mercados e competitividade nos setores bioeconomia;
  • incentivo para que os responsáveis políticos e as partes interessadas trabalhem juntos;

    O objetivo é uma economia inovadora com baixas emissões, que concilie as exigências para a agricultura sustentável e a pesca, segurança alimentar, e o uso sustentável dos recursos biológicos renováveis para fins industriais, assegurando ao mesmo tempo a biodiversidade e proteção ambiental.

    Fonte: USP, Empraba.